Boa Tarde, 15/10/2019 15:47
PARCEIROS
 
DRA. DANIELA BORDINI

A área da Psiquiatria da Infância e da Adolescência, dedicada à compreensão e auxílio dos quadros de sofrimento psíquico nesta faixa etária, vem ganhando cada vez mais destaque nas últimas décadas. Estudos recentes demonstram que os quadros psiquiátricos nos adultos já apresentam indícios desde a infância, ou mesmo têm início nessa fase da vida, o que nos faz acreditar que o quanto mais precocemente pudermos intervir no tratamento dessas condições, melhor será o prognóstico e a vida desses pacientes.

Na tentativa de minimizar as seqüelas, sabidamente decorrentes dos episódios de doença mental, a psiquiatria infantil, de modo ainda incipiente, tem dado ênfase na pesquisa de fatores etiológicos para que a maior compreensão clínica e o tratamento mais preciso possam levar a maior eficácia terapêutica.

Alguns fenômenos como hiperatividade, amigos imaginários, tristeza, ansiedade, medos, manias, comportamentos opositores podem fazer parte de um desenvolvimento neuropsicomotor normal da criança e adolescente e um especialista nesta área conseguirá diferenciar o que é esperado para aquela faixa etária e grau de desenvolvimento, ou o que pode ser sintoma interferindo significativamente na vida e desenvolvimento do indivíduo, configurando um transtorno mental que requer tratamento específico.

Crianças e adolescentes podem ser acometidos precocemente por quadros psiquiátricos como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, Transtornos de Aprendizagem Escolar, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Transtornos Globais do Desenvolvimento (autismo), Transtornos Depressivos ou Ansiosos, Transtornos Psicóticos entre outros que podem ter seu impacto minimizado e os sintomas controlados com a ajuda do psiquiatra infantil.

O caminho a ser percorrido ainda é longo e repleto de obstáculos. As pesquisas na área são escassas, os ensaios clínicos controlados muito restritos e o preconceito muito grande. Levar uma criança ao psiquiatra ainda é algo muito difícil e assustador para a maioria dos pais; ainda mais se a abordagem terapêutica requer o uso de psicofármacos. O trabalho conjunto é imprescindível na abordagem dessa população, tendo sempre que contar com a família, cuidadores, escola e outros profissionais, tanto para melhor compreensão do caso e seu contexto, como para propor e realizar intervenções efetivas.


 

Dra. Daniela Bordini – Psiquiatra de adulto e infantil formada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); colaboradora como supervisora dos ambulatórios da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência UPIA –UNIFESP

Tel.: 11  9249-9765 | danielabordini@bol.com.br | danielabordini@yahoo.com.br

 

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